Slow Food Cerrado no Assentamento Colônia I (Parte 2)

Enquanto as crianças se divertiam e aprendiam na horta do Seu Rui , os adultos foram se divertir e aprender na horta do Seu Osmar, guiados pelo João, que é filho do Seu Osmar e presidente da associação de produtores do assentamento.

Ainda no centro comunitário os adultos tiveram a opção de irem a pé ou de carro. Decidiram por caminhar, 25 minutos para ir e 25 minutos para voltar, passando por áreas de Cerrado que tinha acabado de queimar, e com uma umidade relativa do ar de mais ou menos 25%.

Na horta do Seu Osmar tinha gergelim, abacaxi, hortaliças. Lá também tinha ervilha torta e morangos, muitos morangos. Mas os adultos foram mais comedidos e comportados, e ao invés de atacar os morangos no pé, fizeram encomendas. Neste dia o Grupo Vida e Preservação vendeu no mínimo 40 caixinhas de morango, além de tomates cereja, hortaliças variadas, sem contar o que foi comprado para preparar o almoço.

Foi também objetivo deste encontro desenvolver uma atividade de intercâmbio e formação entre as mulheres do Grupo Sabor do Cerrado e os Chefs e cozinheiros do Convivium.  Enquanto as crianças e os adultos participavam das atividades nas hortas agroecológicas, o Chef Moisés Nepomuceno e o Cozinheiro (e neste dia Ajudante de Cozinheiras) Cyrano (do Metacafé e agora também do Slow Food Cerrado) foram para a cozinha e já iniciaram os trabalhos junto com o Grupo. As mulheres do Grupo tem uma cozinha equipada no centro comunitário do assentamento, devido ao apoio de vários parceiros mas principalmente do PPP-Ecos , ISPN e da Fundação Banco do Brasil . É desta cozinha, e através do trabalho destas mulheres, que nascem as delícias que são vendidas nos pontos de venda do Grupo Vida e Preservação em Brasília, e servidos nos lanches da sociobiodiversidade, da Central do Cerrado .

A proposta de cardápio foi feita por Moisés aos associados através do nosso grupo de discussão, e consistiu em salada de hortaliças orgânicas com vinagrete de morango, frango com pequi e arroz branco, sete cereais com castanha de baru e legumes salteados no azeite de babaçu – para a(o)s vegetariana(o)s – e torta de jatobá com banana da terra caramelada (um hit do Terra Madre Brasil !).

Grande parte dos ingredientes do nosso almoço veio do próprio assentamento, ou seja, não viajou nada. Outros ingredientes, como a farinha de jatobá, o azeite de babaçu, a castanha de baru, foram fornecidos pela Central do Cerrado , que recentemente se tornou uma cooperativa.

Quando a atividade com as crianças acabou, e os adultos voltaram da horta, Leninha e Gudrin não resistiram e se juntaram ao Grupo da cozinha. Enquanto isso, na sala ao lado, os sócios do Slow Food Cerrado se reuniram em um círculo para começar a conversa, saber um pouco mais sobre o Slow Food , sobre a Central do Cerrado, sobre o Assentamento.

Moradores do assentamento foram convidados a se juntarem a nós para o almoço. A conversa nas mesas corria solta, e nossos sentidos foram aguçados com as delícias que saiam da cozinha direto para as mesas.

Depois do almoço, que durou umas 2 horas, as cadeiras foram levadas para fora para que a conversa "séria" do Convivium continuasse. O objetivo da tarde era perceber um pouco da expectativa de cada um no seu envolvimento com o Slow Food, avaliar o encontro e pensar em outras atividades.

Começamos com uma dinâmica de apresentações muito divertida, liderada pelo Rafael. Depois disso a conversa fluiu fácil, com muitas propostas interessantes.

E as crianças? Brincavam de fazer boneca de milho, e de pular corda, junto com as crianças do assentamento, como se estivessem em casa. Tudo tranqüilo.

De concreto dois encaminhamentos: formou-se o Grupo de Trabalho de Comunicação, e a cada encontro uma pessoa se responsabilizará por propor e coordenar a próxima atividade. O próximo, que acontece já no dia 28 de agosto , será focado na Permacultura e liderado pelo Rafael Poubel com apoio da Darlana.

Quando já caia a tarde algumas das mulheres do Grupo Sabor do Cerrado se juntaram a nós e falaram sobre a experiência do dia, do trabalho na cozinha, da colaboração com Moisés, Leninha, Gudrin e Cyrano. Foram recebidas com aplausos por todos.

Trouxeram com elas o café, suco e bolinhos de babaçu e de jatobá. Claro que não iríamos pegar a estrada de barriga vazia, não é mesmo?

Fizemos uma dinâmica de encerramento muito rápida (e muito poderosa) antes do café e estávamos prontos para partir, na boca um gostinho de quero mais e o coração mais feliz. Ao chegarmos no assentamento éramos praticamente desconhecidos, novos associados. Saímos de lá, com o sol se pondo, como novos amigos, que tem muita coisa em comum e vontade de conviver.

"Pra saber o que é esse movimento, só mesmo estando dentro dele, caminhando no Cerrado e tentando assimilar um pouquinho que seja da sabedoria dos homens da terra, que trabalham o alimento desde a sua concepção.

Seca braba em Brasília, o solo castigado pelo fogo impressiona.

Mas é bonito de se ver o verde bem vivo dos canteiros carinhosamente semeados, o vegetal crescendo novinho entre as folhas, como num oásis recheado de riquezas nutritivas e saborosas no meio do deserto!

Que desse chão úmido, forte e fértil possa sempre brotar as sementes mais ricas dos valores humanos e da sabedoria da terra e para a terra, que estamos a plantar."

Nara Codo

As fotos estão em seqüência e são uma coletânea. Contribuíram para este álbum Ana Palmira, Luis Carrazza, Nara Codo e Roberta Sá.

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Roberta Sá é Presidente da Comissão Brasileira da Arca do Gosto , Líder do Convivium Slow Food Cerrado e mantém o site Alimento para Pensar .

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