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Slow Food Educa para a transição e emancipação!

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 Criado em 24 de Março de 2014, o coletivo Slow Food Brasil Educação segue de vento em popa na sua missão de ser um espaço criativo e amoroso de trocas e articulação de educadores dentro da Rede Slow Food Brasil, e, para além de pensar e praticar a educação do gosto e alimentar, entende o alimento como uma potente ferramenta para uma educação emancipadora e transformadora.

Após dois anos de atividades, funcionando de forma independente e voluntária, o grupo celebrou em seu segundo encontro presencial ocorrido em São Paulo no último mês de Maio seu compromisso na construção de princípios e práticas em educação para a transição, tendo a filosofia do bom, limpo e justo e a “centralidade do alimento” como caminhos e inspirações.

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O Slow Food acredita que a educação é um elemento chave para a mudança que se quer para o futuro, e assim como a alimentação, deve ser prazerosa, leve e lúdica. Um Centro de estudos em educação na Itália foi responsável pelas primeiras propostas inovadoras do Slow Food, que logo foram sendo utilizadas, adaptadas, reinventadas e contextualizadas nos mais diversos núcleos do movimento.

É neste sentido que nasceu o Slow Food Brasil Educação, coletivo multiprofissional e transdiciplinar que adapta de forma criativa os princípios do Slow Food Internacional à realidade brasileira alinhando com as políticas públicas de Educação Alimentar e Nutricional (EAN). Desde então ocorrem encontros virtuais regulares onde são compartilhados princípios, metodologias e práticas educativas e elaborados formatos de eventos,campanhas formações e materiais educativos. Os encontros presenciais ocorrem uma vez ao ano. Em 2014 foi no Terra Madre Itália em Turim, 2015 na Slow Chácara em Batatais (SP) e este ano no Espaço Zym, na capital paulista.

O principal ponto do planejamento do grupo neste momento é a elaboração de uma publicação e um audiovisual, além de ações focadas na formação de educadores e multiplicadores locais nas comunidades do alimento e Fortalezas que fazem parte da Rede Terra Madre.

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A iniciativa reforça uma abordagem mais ampla da alimentação na educação, que contemple a integralidade do sistema alimentar em seus diversos aspectos, sejam eles culturais, afetivos, socioambientais, econômicos, nutricionais. Busca-se agregar demandas sociais e especificidades locais brasileiras aos princípios de educação praticados em âmbito global pelo movimento internacional Slow Food, que se baseiam no direito ao prazer da alimentação, na Educação do Gosto e treinamento dos sentidos.

O Slow Food está envolvido em iniciativas de educação alimentar em mais de 150 países e seus princípios educacionais dialogam muito com as diretrizes da política de Educação Alimentar e Nutricional ( EAN) no Brasil. Estes princípios estão baseados no Manifesto Slow Food pela Educação que tem o objetivo principal de educar os jovens para desenvolver suas habilidades sensoriais mobilizando-os para a importância do alimento como uma parte integral da cultura da sociedade. A Educação do Gosto não se limita a simples classificação das qualidades nutricionais, mas enfatiza que o alimento também significa prazer, cultura e convívio, ajudando a preservar a cozinha regional, produtos tradicionais, espécies vegetais e animais em risco de extinção. Um elemento vital desta filosofia é o re-treinamento dos sentidos e da percepção, pois especialmente os jovens estão correndo sérios riscos de perder a noção do que significa comida de verdade.

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                     Relato Poético do  Segundo Encontro Presencial do Slow Food Brasil Educação

por Gisele Miotto (Educadora do campo e membro do Slow Food Brasil Educação)

 

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Buscar na Educação a conexão da importância de alimentar com consciência

Dia 20 de Maio de 2015, em uma sexta-feira tranquila, iniciamos o nosso encontro no Espaço ZYM, de nossa anfitriã Claudia Mattos. Um café da manhã rico, diverso, representando o que a nossa terra tem de melhor, umbuzada, requeijão orgânico, suco verde, bijajica e outras delícias. É na mesa que a harmonia se iniciou e deu continuidade quando nos propomos compartilhar com o grupo um pouco daquilo que nos motivou a estar ali, em um Grupo de Trabalho que trata do tema da educação dentro do universo Slow Food. O que compartilhamos, nos mostrou que  as diferentes trajetórias, iniciadas na infância até o momento atual, foram traçadas pelo gosto com a alimentação, pelas inquietações de vida, materializadas em vidas acadêmicas, pelas necessidades financeiras e tiveram este pulso por estarem movidos pelo amor à terra, que isso inclui o alimento que ela nos dá e das relações humanas que nela se estabelecem, uma conectada a outra. Após este primeiro momento, iniciamos a arte de cozinhar, um lindo almoço, onde em cada corte do coração de bananeira, do ralar do mamão, da limpeza das folhas, trocamos ideias e experiências pessoais em como materializarmos em nossa vida a educação para o gosto. Ideias criativas e a fome pela troca nos revelou o quanto é importante estarmos juntos e a necessidade de organizarmos diferentes ferramentas educativas para que diferentes pessoas possam se apropriar delas e multiplicar no espaço onde atuam. O que nos alimentou: arroz, feijão, casca louca, salada tailandesa, mamão verde refogado, coração de banana com licuri, salada com PANC, queijo da canastra, suco de uvaia e grumixama do Sitio do Bello. Para a sesta, fomos conhecer um pouco do Espaço ZYM e de sua amada vizinhança. A felicidade de não ter respostas prontas e mais inquietações foi muito produtiva, possibilitou a construção comum de conceitos e sentimentos que nos identifica enquanto grupo. Último momento foi a confraternização com diferentes convidados que se conectavam a nós, tendo como ponto central a deliciosa pupunha da Cananéia, uma sopa para aquecer o corpo e as saborosas cervejas artesanais produzidas pela nossa amiga Marina. Dos convidados que estiveram presentes: Zuzu, Ana Flávia (Instituto Kairós), Rita (Instituto Roma), Carol (Instituto Alana). Dia 21, o encontro iniciou fora do espaço ZYM e fomos para a feira de orgâncos do Modelodromo (Ibirapuera), lá conhecemos alguns produtores e parceiros do Slow Food Brasil. Depois partimos para o espaço Saudavelmente de nossa anfitriã Adriana Vernacci. Depois do almoço abundante, representado por uma lasanha com funghi e para sobremesas, tortinhas de limão siciliano e cheese cake de goiaba e suco de Cambuci, iniciamos o segundo momento do dia, onde nos propomos a discutir e encaminhar algumas questões relevantes para o nosso momento “ao vivo”. Para buscar em palavras aquilo que pulsa dentro da gente, nos motiva e o que esperamos realizar enquanto coletivo, escrevemos em pedaços de papeis, de forma individual quais seriam esses objetivos do nosso grupo.  Diversas propostas surgiram, muitas delas se complementavam e se alinhavam, o que revelou sintonia naquilo que queremos realizar juntos! Foi um processo de construção e conversas para afinarmos a nossa proposta que finalizou no fim da tarde. Após esta imersão frutuosa, nos dirigimos até o grande ABCD Paulista, para nos encontrarmos com a colega Ana Tomazoni, experiente chef de cozinha do Slow Food Brasil, em sua escola de gastronomia, um espaço educativo e culinário de excelência. Como esperado, um delicioso banquete aconteceu, com escondidinho, caldinho de feijão, quentão, bolo delícia de chocolate, pão de mandioca e outras delicinhas! O dia chegou ao fim e anoitecemos com a lua cheia! Dia 22, abrimos a manhã e o último dia todos juntos no espaço Saudavelmente, com a presença do querido André Gravatá, que passou ali para nos inspirar. Depois de um almoço colorido, nos sentamos em circulo e de olhos e ouvidos despertos, ouvimos André falar, com seu encanto no olhar e sorriso, dando vida e amor a ideias que revoluciona, contou um pouco de seu amor e entusiasmo pelo educação. Nos impressionou a simplicidade, pouca idade e capacidade de materializar sonhos. E nos convidou à materializar mais um sonho, a de escrever um livro voltado para jovens educadores. Felizes com o convite, lembramos de quanta coisa precisamos materializar e as vezes a ação é mais simples do que parece!

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