Planejar para salvaguardar os bens naturais e culturais

Foi com esse compromisso que o projeto “Território e Cultura Alimentar no Ceará” chegou ao semiárido cearense, no Sertão dos Inhamuns, e de lá seguiu até o Vales do Curu e Aracatiaçu, no litoral, conhecendo de perto a realidade de dois povos indígenas do estado.

O objetivo das ações desenvolvidas nessa etapa do projeto com os Tabajara de Quiterianópolis e com os Tremembé da Barra do Mundaú foi construir o Planejamento Estratégico Participativo desses povos originários, buscando expandir o olhar para desenvolver caminhos de transformação territorial sustentáveis e definir ações prioritárias para valorização e proteção do patrimônio natural e cultural alimentar.

As vivências em campo foram dinamizadas pela historiadora Gabriella Pieroni e propostas pela educadora Gisele Miotto, ambas integrantes da Comunidade Slow Food Brasil Educação e consultoras do projeto. As atividades foram pensadas e organizadas em conjunto com os articuladores locais e lideranças indígenas, Eleniza Tabajara e Mateus Tremembé, que também facilitaram a mobilização comunitária, gerando diversidade na adesão e o engajamento da juventude e, principalmente, das mulheres.

Planejamento estratégico participativo

A intenção desse instrumento é obter um panorama sobre os elementos que hoje potencializam e aqueles que limitam a salvaguarda da cultura alimentar e dos bens naturais das aldeias. Ao mesmo tempo, subsidiar essas comunidades para que tenham autonomia e possam replicar essa metodologia e atualizar o plano que foi desenvolvido, quando necessário, pois a realidade está sempre em transformação, apresentando novas oportunidades, novos problemas e outros cenários externos. Para isso, foi utilizada a matriz “FOFA”, que permite a realização de um diagnóstico mais preciso acerca das forças, oportunidades, fraquezas e ameaças.

Os encontros junto ao povo Tabajara do Sertão dos Inhamuns, situados na divisa com o estado do Piauí, aconteceram na Escola Indígena Carlos Levy e envolveram as quatro aldeias: Fidélis, também conhecida como “Aldeia Mãe”, Bom Jesus, Croatá e Vila Nova. Na oportunidade, foi possível realizar uma leitura do cenário atual e provocar a reflexão sobre o futuro, permitindo tecer diálogos e compartilhamentos entre diferentes gerações.

“Obtivemos bons avanços com o projeto Território e Cultura Alimentar no Ceará, pois nós, Tabajara, vimos a necessidade de salvaguardar nossos alimentos culturais.”

Eleniza Tabajara

As atividades desenvolvidas na T.I. Tremembé da Barra do Mundaú, localizada no distrito de Marinheiros, em Itapipoca, no litoral oeste do Ceará, onde estão situadas as aldeias São José, Munguba, Buriti do Meio e Buriti de Baixo, envolveram na construção do planejamento estratégico, além da comunidade, parcerias com o CETRA e a Escola de Gastronomia Social, que atuaram coletivamente em 06 eixos temáticos para o fortalecimento da identidade territorial: criação de animais, pesca, agricultura, medicina tradicional, águas e matas sagradas.

O planejamento estratégico é a possibilidade de construir uma reflexão sobre a importância do cuidado com o território para o amanhã. Representa esse olhar para o futuro, com a cultura viva, os saberes e sabores vivos, garantindo a transmissão dos conhecimentos a partir do lugar de existência.

Mateus Tremembé

Território e Cultura Alimentar no Ceará

Respeitando todos os protocolos sanitários definidos para o período de pandemia, o projeto vem sendo realizado desde setembro de 2020 pela Associação Slow Food do Brasil (ASFB) e pelo AKSAAM – Adaptando Conhecimento para a Agricultura Sustentável e o Acesso a Mercados, projeto do FIDA – Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), e com o apoio dos projetos Paulo Freire (FIDA), São José (Banco Mundial) e a Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco. 

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