Aratu

Arca do Gosto // Pescado, marisco e derivados

Goniopsis cruentata // Litoral do Nordeste. Canavieiras (BA) e Santa Luzia do Itanhy (SE) // Comunidade de Campinhos em Canavieiras, Bahia e marisqueiras de Santa Luzia do Itanhy, Sergipe.

O aratu, também conhecido como aratu-vermelho, é um crustáceo pertencente a família Grapsidae  de ocorrência natural em manguezais em todo a região litorânea do Atlântico Ocidental, da Flórida até o litoral sul do Brasil, com   em especial na Bahia e Pernambuco, mas atualmente em extinção. Por ser um caranguejo semiterrestre, vive em toda extensão do mangue e tem importante papel nesse bioma, por compor a cadeia trófica desse sistema bastante frágil.

O aratu mede cerca de 6 centímetros de largura e é caracterizado pela cor vermelha de suas patas (6 patas de apoio, 2 pata mindinhas e 2 patas de morder, também conhecidas como puãs, divididas bilateralmente) e coloração negra do casco. É encontrado nas raízes dos manguezais e buracos de caranguejo na lama. Usualmente se alimenta de outros crustáceos mortos e folhas. A distinção de sexo, assim como em outros caranguejos, é realizada por inspeção visual do abdome, o macho é estreito em formato de T e a fêmea possui placas circulares. Ademais, o abdome da fêmea é bem mais largo que o do macho. 

Durante o seu desenvolvimento, o aratu troca de casca diversas vezes, sendo que durante esse período de troca o animal é preservado da pesca, o que o difere do siri, demandado enquanto siri-mole.

O aratu na Comunidade de Campinhos, Canavieiras, Bahia

A coleta do aratu é realizado por mulheres marisqueiras durante a maré baixa com o auxílio de vara e iscas, feitas de restos de outros mariscos. Para a pesca, as marisqueiras atiram a isca presa a uma linha ao mangue e esperam que os aratus capturem a isca, quando são coletados e armazenados em sacos ou baldes. A pesca do aratu ocorre durante todo o ano, não sendo recomendada durante o período de reprodução (janeiro a março) e é uma importante parte da identidade cultural local pois para estimular a aproximação dos animais são realizados cânticos regionais ou sons (assobios ou choque mecânico com as raízes). 

Após a coleta do aratu é feito um pré-cozimento, que tem por finalidade endurecer a carne a ponto de ser possível retirá-la do exoesqueleto (catado). Esse processo é realizado já na comunidade, geralmente nos quintais das marisqueiras, de maneira artesanal. Após a retirada da carne, o catado é porcionado em embalagens de 1Kg, e será comercializado em feiras livres, peixarias ou com o auxílio de atravessadores.

Como o aratu é um animal pequeno com pouca carne, são necessários muitos exemplares para a produção de um quilo de catado. Dessa forma, a contínua redução na população de aratus, devido ao desmatamento dos manguezais da região vem afetando consideravelmente a produção do catado de aratu. Além disso, as condições de trabalho são desfavoráveis, uma vez que as marisqueiras necessitam passar todo o dia no mangue. Por isso, tem diminuído também o número de marisqueiras dispostas a executar esse trabalho, uma vez que suas filhas preferem desempenhar outras funções. Dessa forma, o catado de aratu vem se tornando cada vez mais escasso mesmo em regiões produtoras, sendo necessária a sua proteção bem como dos manguezais, o habitat natural do aratu.

O Aratu de Santa Luiza do Itanhy, Sergipe.

As águas dos mangues do Estado de Sergipe, no Nordeste Brasileiro, sempre foram ricas em diversas espécies de caranguejos. Na área de Santa Luiza do Itanhy, em particular, as lagos sempre foram ricos em um caranguejo especial, de pequenas dimensões e de carne saborosa e delicada: o Aratu.

A coleta de Aratu sempre foi atividade feminina para subsistência. O crustáceo vive no mangue, em buracos na areia ou dentre ramos de vegetação. Por outro lado, assim como já aconteceu com o caranguejo comum, os coletores de Aratu de Santa Luiza do Itanhy percebem, de ano em ano, a redução da quantidade de aratu em seus manguezais. Este fenômeno é em parte devido à criação intensiva de camarões na área, poluindo os manguezais com a ração usada para a alimentação. Outra razão é também a pesca ou coleta não sustentável dos recursos por parte de alguns coletores da área, que pescam e consomem animais pequenos e fêmeas com ovas.

Usos gastronômicos 

A carne de caranguejo é rica em proteínas, vitaminas e sais minerais e possui baixo teor de gordura. O catado de aratu é comumente utilizado para moquecas. Além disso, é ingrediente principal para o casquinho de aratu (catado com farofa), fritada e ensopado.

Informações adicionais:

http://www.icmbio.gov.br/cepene/images/stories/publicacoes/btc/vol19/art02-v19.pdf
http://www.biotaneotropica.org.br/v9n4/pt/fullpaper?bn00609042009+pt

Indicação

Paulo Dantas, Aniram Lins Cavalcante.

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