Arubé

Arca do Gosto // Ervas aromáticas, especiarias e condimentos

Mostarda indígena // Região Norte, Pará // área indígena Arara da Volta Grande (Altamira, Pará)

O arubé é um concentrado de tucupi (sumo da mandioca) usado pelos indígenas para conservar as caças e que, com o passar dos anos, foi deixando de ser produzido e consumido na maioria das tribos. É conhecido, inclusive, também como mostarda indígena.

O arubé é mencionado nas obras de Câmara Cascudo e Nunes Pereira que descrevem seu modo de preparo e sabor semelhante ao da mostarda. Chef Ofir Oliveira, fundador da Associação Sabor Selvagem (Belém), em suas pesquisas reproduziu o arubé e começou a usar em seus pratos pelo Brasil e pelo mundo, tendo plena aceitação dos consumidores, pelo sabor que o arubé dá as carnes, sejam elas vermelhas ou brancas, e a também aos frutos do mar.

Em trabalho realizado na Terra Indígena Arara da Volta Grande, em Altamira Pará, os moradores indígenas foram colocados novamente em contato com os métodos de preparação deste molho, o que despertou alegria nos anciãos que lembravam do molho mas não do seu modo de preparo. Acredita-se que este seja o primeiro molho do Brasil e, segundo dados históricos levantados, era produzido em todo o território brasileiro pelos povos indígenas.

O produto é ligado a área indígena Arara da Volta Grande (Altamira, Pará) e consumido nas familias, nas rituais e nas festas. É comercializado de forma artesanal em feiras livres, quitandas e outros estabelecimentos do ramo.

O arubé é um molho com sabor semelhante ao da mostarda. Pode ser usado no preparo de carnes vermelhas, brancas e frutos do mar.

Além de seu valor histórico e gastronômico, seu consumo e produção é uma alternativa para diminuir o impacto ambiental produzido pela produção da farinha, visto que o sumo da mandioca na maior parte das vezes é desperdiçado na natureza causando sérios danos devido a concentração de ácido anídrico. Ou seja, o sumo concentrado pode ser aproveitado para a alimentação, não sendo mais um subproduto a ser descartado. Além disso, a comunidade indígena citada encontra-se em área de impacto da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Referências adicionais:

https://www.youtube.com/watch?v=ya7tZa6EN3I
http://theninebelem.blogspot.com.br/2013/02/a-ultima-semana-foi-longa-eprodutiva.html
https://pib.socioambiental.org/pt/povo/arara-da-volta-grande-do-xingu
http://www.diariodopara.com.br/impressao.php?idnot=117762

Indicação

Luana de Sousa Oliveira

Pesquisa

Carlos Demeterco e Ligia Meneguello

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