Prato preparado por Beto Pimentel

O baiano Beto Pimentel

Prato preparado por Beto PimentelMuitos restaurantes desse Brasil, de tão bons e tradicionais que são, já viraram atrações turísticas. São lugares especiais que o visitante não deixa de ir sempre que vai a determinada cidade, vila, vilarejo, lugar.

Hoje eu queria falar de um que conheci recentemente em Salvador, a linda capital baiana.

É o Paraíso Tropical, de Beto Pimentel, baiano típico do Recôncavo. Levando em consideração que o alucinado Beto, no bom sentido, procura fazer da tradicional cozinha baiana uma mistura exótica de cores, cheiros e sabores, o que já a colocaria como uma atração turística, o que mais chama a atenção é que o badalado e sempre cheio Paraíso Tropical, localizado num bairro bem distante do centro (na Cabula), fica grudado em uma chácara que é o xodó do proprietário. São vinte e oito mil metros quadrados onde há mais de cinco mil pés de uma grande variedade de frutas – mais de 50 -, desde as tropicais, até as do cerrado e as amazônicas, além de muitas que vieram do exterior e que se adaptaram ao sol da Bahia. Isso sem contar a pequena plantação de cana e os diversos tipos de hortaliças e verduras. Ah, e os vários tipos de pimenta. Se você nunca viu ou ouviu falar de biri-biri (ou bilimbi), cagaita ou bacupari, vá lá que o Beto lhe mostra. Ele sempre arranja um tempo para mostrar a sua chácara para os visitantes, mas quando não consegue, pede a um de seus funcionários para servir de guia.

Beto PimentelBeto tem sessenta anos, mas só abriu o seu restaurante há sete, depois de passar muito tempo cozinhando para a família e os amigos.

Bom, sobre a excelente cozinha de Beto Pimentel, gostaria de registrar apenas umas duas ou três coisas: na sua já famosa moqueca de camarão, em vez do tradicional leite de coco, ele usa a polpa de coco verde batida com a água do coco no liquidificador. Em vez de azeite de dendê, ele cozinha junto com a camarão o fruto do dendê e mais uma massa de dendê feita no seu restaurante. E folha de tangerina, de pitanga, de vinagreira, além de gengibre, tomate cereja, amora silvestre, biri-biri, bacupari, para ficar só nesses, digamos assim, ingredientes. Tudo da sua chácara. O resultado é um caldo divinamente saboroso.

Boa viagem e bom apetite.


Chico Junior é jornalista e autor do livro Roteiros do Sabor Brasileiro – que une turismo e a gastronomia regional do Brasil. chicoju@slowfoodbrasil.com

 

Deixe um comentário:

Últimas notícias

Visual Portfolio, Posts & Image Gallery for WordPress

Movimento Slow Food e a Agroecologia

https://youtu.be/hSMgShmPpaM Há mais de 70 anos, sob promessas de alimentar o mundo, a Revolução Verde se baseia num modelo de produção agrícola dependente do uso intensivo dee petróleo, de devastação de matas...

Apresentação Tecendo Redes

Assista ao vídeo com Glenn Makuta, coordenador de articulação em rede e comunicação interna pela Associação Slow Food do Brasil. https://youtu.be/t-jhEc2XLw0 O projeto Tecendo Redes pelo Alimento Bom, Limpo e Justo para...