Foto: Kunal Chandra/Divulgação

Devagar com a rede, o peixe é fraco!

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Leilão em Gênova. No Slow Fish, a caixa de sardinha era oferecida a 2 euros; a bandeira deste ano foi a defesa dos pescadores (Foto: Kunal Chandra/Divulgação)

Na ensolarada tarde de sábado, 27 de maio, um pescador animava o píer em frente ao pavilhão Fiera di Genova oferecendo seus produtos: "Dois euros pela caixa de sardinha. Quem vai querer a lula? Olha, que está acabando". O pequeno leilão de peixes fresquíssimos improvisado ao ar livre, à beira do mar da Ligúria, não falhou uma única vez durante o encontro do Slow Fish, na cidade italiana de Gênova, entre os dias 27 e 30 de maio.

O Paladar participou dessa quinta edição do evento organizado a cada dois anos pelo Slow Food com os peixes como tema. Neste ano, a atenção de participantes do mundo todo se voltou para uma outra espécie em extinção: os pequenos pescadores.

Representados por cooperativas de várias regiões da costa italiana, os pescadores estavam ali para confirmar que vivem tempos difíceis. São uma espécie ameaçada, vítima da superexploração dos recursos do mar por pesqueiros industriais, que estão esgotando os estoques de peixe, especialmente perto da costa, onde os pescadores atuam com seus barcos.

Ao celebrar os pequenos pescadores, o Slow Fish acabou fisgando um peixe grande: pela primeira vez, a mais alta representante europeia para assuntos marítimos e da pesca compareceu. Ao lado de Carlo Petrini, fundador do Slow Food, a comissária Maria Damanaki foi enfática: "Podemos mudar a forma como comemos, mas precisamos é mudar a forma como pescamos".

Durante o encontro houve mais de 50 atividades diárias, entre documentários, workshops, degustações e palestras. Foi fácil se deixar levar no meio de tantas coisas interessantes para ver e provar. Pescado siciliano, peixes defumados irlandeses pareados com uísque e cerveja. Histórias narradas por pescadores gregos da Trácia. Degustação de peixe às cegas. Não dava para perder nada. E fora das salas, na feira, havia incontáveis espécies de peixe e frutos do mar para provar.

Quem visitou o Slow Fish neste ano saiu da Fiera di Genova com a certeza de que há muito peixe diferente no mar. E que é possível ser sustentável a partir de gestos simples, como estar aberto às novidades e escolher o peixinho esquisito, mas saboroso, que está na época.

Com grande apelo político, o encontro deste ano reforçou o compromisso dos pescadores, palestrantes e visitantes de lutar por uma mudança drástica na legislação pesqueira. Só a partir dela é que se garantirá que quando um pescador jogar seu anzol no mar, terá a certeza de que poderá levar para casa a refeição do dia.

>> Veja também: Fim da linha, na ponta do anzol


Texto de Cíntia Bertolino publicado no Paladar, caderno do jornal Estado de São Paulo em 8/6/2011

 

 

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